sexta-feira, 29 de abril de 2011


Nesses quase dois mil anos de Cristianismo já se viu todo tipo de experimento comunitário, mas praticamente nenhum deles deu certo muito tempo.

A igreja de Jerusalém se tornou etnicista e legalista. As igrejas gentílicas bem podem ser ilustradas pelas sete igrejas do Apocalipse. E o que vem depois é sempre marcado por cismas, facções, guerras doutrinárias, preconceito, mania de controle, muita fofoca, conspiração, e maquiavelismo. 

A Reforma Protestante não escapou às mesmas coisas. Logo os cismas se manifestaram e as guerras pela verdade da Verdade se instalaram. No nível comunitário estabeleceu-se como regra o bom testemunho, e somente aqueles que o não violassem não seriam perseguidos ou disciplinados. Isto para não se falar na neurose de caça às bruxas e aos hereges, coisa que logo se instalou.

Na história do Cristianismo os bons momentos de vida comunitária sempre foram apenas momentos. E tais bons momentos, em geral, se fizeram acompanhar pelo espírito da uniformidade. Ou seja: se todos estivessem comportamental e doutrinariamente uniformes, então, haveria bom convívio. Mas se alguém pensasse diferente ou fosse diferente, aí instalava-se a discórdia.

No Cristianismo nunca houve espaço para o indivíduo, mas apenas para os uniformizados pela igreja. Portanto, para pessoas que aceitaram deixar de ser quem eram.

Os movimentos de avivamento não fugiram à regra, e nenhum deles conseguiu, por muito tempo, apresentar um avivamento que se manifestasse como vida prolongada em amor. A maioria deles se manteve avivamento enquanto surtos de arrependimento e culpa se manifestavam sobre os ouvintes, mas não se transformava m em encontro de graça, amor, misericórdia, perdão, bondade e mansidão. 

A espiritualidade comunitária desses movimentos sempre foi fiscalizadora e legalista. Daí serem apenas momentos, surtos, episódios, porém sem durabilidade.

Trazendo a coisa para perto de nós, fica ainda mais fácil constatar o que estou dizendo. Nesses 150 anos de fé protestante, e ou pentecostal-evangélica no Brasil, não tivemos um único exemplo histórico consistente de uma igreja que tenha caminhado continuamente em amor, graça e misericórdia. São apenas surtos. 

Ouve-se dizer que uma certa igreja está bem. Logo depois se fica sabendo que o pastor saiu porque “pecou”, ou que um líder “dividiu” a igreja, ou que um movimento novo destruiu o bom convívio, ou que houve revolta na igreja em razão da punição dada a alguém, ou, ainda mais comum-mente, que a igreja se dividiu em razão da punição que não se deu a alguém. Isto sem falar no problema mais comum, que são crentes desejos de avivamento conforme um determinado modelo, e pastores e denominações contra tais movimentos.

Ora, o que aqui digo, do ponto de vista da analise minuciosa, é simplista e superficial. Porém, é incontestável. Ou seja: eu reconheço que não se pode cobrir dois mil anos com algumas linhas e alguns exemplos. Por outro lado, por mais que tais itens sejam esmiuçados em sub-grupos e seus derivados históricos, ainda assim, em nenhum deles se verá um experimento longo e contínuo de uma igreja que tenha vencido os clássicos vícios cristãos no que tange a vida comunitária. Ou seja: à vida na igreja.

Já se tentou de tudo, só não se fez ainda o que Jesus fez para pastorear o Seu próprio rebanho. 
E o que Ele fez? 

Ora, basta ler os evangelhos e se verá como Jesus era o Bom Pastor. 

E como era isso? 

Era exatamente igual ao modo como Ele tratava as pessoas. 

E como Ele fazia isso? 

Fazia justamente do modo como Ele lidava com cada questão do caminho.

Vale lembrar que Jesus nunca se meteu na vida de ninguém, nunca bisbilhotou Seus discípulos, sempre deixou que cada um fosse como cada um era, e quando os corrigia, tal correção não significava diminuição ou execração de ninguém. Além disso, Ele, que tinha todo o discernimento do coração humano, não trata de desnudar ninguém, exceto os fariseus, aos quais Ele desfolhou e expôs a nudez, e isto apenas em razão do fato de que a vida deles era tentar controlar a vida dos outros e dizer como cada um tinha que ser.

Também não se vê Jesus querendo segurar ninguém ao lado Dele. Ao contrário, a maioria Ele ensinou a Palavra, ou curou, ou abençoou, e deixou a vida levá-los. 

O gadareno é o caso mais chocante. Afinal, o cara tinha acabado de ficar livre de uma legião de demônios, pede para seguir com Jesus, e, ao contrário do que se esperaria, ouve Jesus dizer que para ele o melhor seria voltar para casa, para os seus.

No mais, o que acontece é simples: Ele prega o Evangelho do reino d! e Deus, cura os doentes, perdoa os culpados, libertas os oprimidos, inclui os excluídos, pacifica os aflitos, e anuncia esperança, ressurreição e vida. Todavia, não se o vê dando ordens aos discípulos para que controlem alguém, nem tampouco uns aos outros.

O que também não se vê Nele é essa nefasta noção de que o pecador macula o grupo dos santos. Seu tesoureiro era ladrão, Ele sabia disso, e não disse nada a ninguém. Esperou o sujeito se manifestar, e não fez comentários adicionais ao fato, exceto, sem dizer o nome, afirmar: “Um de vós é diabo”.

Para Ele, o ser-diabo é aquele que divide. Diabo significa aquele que divide. Ora, se onde o diabo está presente aí há divisão, que dizer então das divisões que nos têm animado nos últimos dois mil anos?

Já tentamos de tudo. E todas as coisas acabam no mesmo lugar e do mesmo modo. Falta-nos, todavia, fazer apenas como Jesus. Ora, eu sei que é demais para uma igreja viciada em controle e em método; em condução da vida privada e em intervenções; em só considerar o trabalho feito se o gadareno virar pastor ou líder da igreja—sim, é demais simplesmente pregar a Palavra, ajudar a quem pede, cobrir a quem está nu, e dar liberdade ao indivíduo para fazer o seu caminho, crendo que a Palavra e o Espírito cuidarão dele, pois ele tem Pastor.

Para as desculpas que a igreja daria a si mesma, com certeza, se diria que tratar as pessoas com a liberdade com a qual Jesus tratou-as, é demais. Mas não se diz que “é demais” apenas porque não gera controle, nem espetáculo de multidões apresentáveis como gado, e que são cédulas de poder nas mãos daqueles que as controlam.

No dia em que os cristãos crerem no poder da Palavra e do Espírito, e também crerem que o rebanho tem Dono e Senhor, e pararem de se meter uns nas vidas dos outros, e passarem apenas a levar as cargas uns dos outros—e isto se solicitado—, então vermos o que nunca vimos até hoje.

Ora, no dia em que toda essa energia gasta em policiamento e controle, e todas essas forças deixarem de se concentrar apenas no “encher a casa”, e, ao invés, toda a energia for concentrada na Palavra e no carinho reverente para com o trabalho de Deus na vida de cada um, e isso sem patrulhamentos, mas apenas em disposição solidária, então, se verá o que até hoje não se viu.

O que estou dizendo é que para mim nenhuma das igrejas do Novo Testamento é modelo de nada, senão delas próprias. Elas foram apenas igrejas, e tiveram seus vícios e idiossincrasias variadas. 

Para mim, Jesus é modelo de tudo. Obviamente que Ele não é modelo de comunidade, mas é modelo do espírito comunitário. E mais: Seu modo de lidar com as pessoas é a única maneira pastoral de se lidar com os irmãos.

Sim, no dia em que muitos começarem a praticar o espírito de Jesus na vida comunitária, e muitos pastores decidirem deixar de ser discípulos dos que marcam o corpo e a alma dos irmãos como se fossem gado, ou propriedade deles, e tornarem-se apenas pastores como o Bom Pastor, então, se verá o que até hoje nunca se viu.

Nesse dia a igreja não será perfeita, mas com certeza deixará de ser esse covil de serpentes peçonhentas, e de xerifes e vigilantes da alma alheia.

No dia em que nos amarmos uns aos outros e nos perdoarmos mutuamente de modo incondicional, sim, nesse dia, o mundo crerá, e os que não crerem estarão rejeitando a algo que é imperfeito, porém é verdadeiro. Diferentemente do que acontece hoje, quando se rejeita aquilo que se tem que rejeitar mesmo, visto que nem imperfeito é, pois é pior, em razão de que é algo pernicioso. Daí tal rejeição não ser injusta, posto que a própria verdade manda que se rejeite tal coisa que se pretende passar por igreja de Deus, sendo mais perversa com o mundo e com seus próprios filhos que as desalmadas mães avestruzes descritas por Deus no livro de Jó.

Somente na Graça a reunião comunitária não é viciosa, controladora, adoecedora, perniciosa, fraguimentadora de individualidades, e corruptora de espíritos. 

Fora da Graça, todo projeto comunitário mergulha no moralismo, no legalismo, na mediocridade, no controle, na megalomania, nos abusos, nas facções, nas disputas, nas guerras e nos ódios. 

Fora da Graça sempre haverá incluídos e excluídos, santos e pecadores, representantes de Deus e seus pobres representados. 

Fora da Graça, de fato, não adianta tentar ser igreja, pois se terá apenas um clube cristão de fariseus.


Caio 

sexta-feira, 8 de abril de 2011

TEMOS UM CAMINHO ÀS NAÇÕES!!!


São Paulo | Quinta-feira, 7 de abril de 2011
Gente que não consegue mais recuar, olá!
Hoje, embarcamos eu e meu companheiro de viagem Wellington Vanzo, mentor do Caminho em Uberlândia, rumo à Europa. 
Nossa missão se resume a encontros importantes para garantir que o Evangelho que se tem pregado a partir do nosso Portal Virtual mantenha-se como jornada real em meio ao secularismo no velho continente ou a religião cristã pervertida.


Então, longe de uma agenda de passeios ou resgates infantis, vou determinado a seguinte agenda programada nas conversas com o Caio e com o Leo nos últimos meses:
[1] Reunião “definitiva” com o pastor Paul Anderson - companheiro de jornada, autor dos livros Conspiração Bonsai e Sãos e Salvos – para que a versão ampliada do revolucionário booklet O CAMINHO DA GRAÇA PARA TODOS possa ser publicado no Reino Unido, em inglês, pela editora a qual o movimento Grace Project, do mano Paul, está ligado. É o livro UM SÓ CAMINHO (ONLY ONE WAY), que está pronto graças aos nossos “tradutores do Caminho” - grupo de amigos espalhados pelos quatro cantos da Terra, que, sempre prontamente, atendem nossos pedidos de tradução de textos do Caio, de livros e informes. Não sei o que está faltando para oficializar essa parceria gráfica!Vou saber em breve. Será que o pastor Paul Anderson finge que gosta da gente, mas no fundo não gosta nada, como um monte de gente aqui no Brasil, que é amigo do Caio na frente dele, e depois diz ao seu pessoal: “Não coloquem NADA do Caio para o povo ler e ouvir, hein? – segundo testemunho do próprio pessoal deles, a nós, o tempo todo. Será?... Não, não... Duvido que seja o caso. O Paul está mergulhado até o último fio de cabelo na pregação da Graça de Deus, e faz isso sem nem ter conhecido o Caminho, o Caio, ou quem quer que seja, como muitos outros estão fazendo...

[2] Reunião com o nosso irmão amado Marcos Viana, brasileiro radicado com a família em Amsterdam, na linda Holanda. O Marcos luta muito para manter o Evangelho sadio em meio às preocupações evangélicas brasileiras de prosperidade e crescimento a qualquer preço! O Marcos pastoreia uma igreja que teve parte de sua membresia desvinculada à medida que ele foi adotando: 

a) posturas de não-alienação do povo (sim, o povo gosta de viver alienado, submisso a ordens sacerdotais que, feito jogo de azar, ditam as cartas a jogar), 
b) de ofertas e dízimos não-obrigatórios, mas fruto de uma consciência grata e generosa, cheia de Cristo! (O povo não gosta de saber que Deus continua não nos devendo NADA nem quando “pagamos” a ele sua santa mensalidade!), 
c) de distinção entre a cultura evangélica meritória, ufanista e supersticiosa pelo Ensino do Evangelho inclusivo, integral, de radical compromisso de fé e devoção, humildade, confiança e superabundante graça! (O povo se sente seguro na cultura religiosa e não deseja o esforço de buscar conhecer JESUS tal qual Ele se revela nas Escrituras), e, por fim, 
d) O Marcos tem se mostrado muito humano... Humano demais para um pastor super-crente! (O povo confia muito mais nos tais “homens de Deus” do que na dependência do Deus dos homens). 

Muito bem, é por estar fazendo um caminho tão cheio de dores em meio à paz que pretendo passar uns dias com o Marcos em Londres, para orarmos juntos, e devolvê-lo à Missão com uma nova responsabilidade: O cuidado de todas as Estações, iniciativas, grupos caseiros, gente dispersa, peregrinos da fé, entre brasileiros e nativos por toda a Europa. O Marcos será servo do Way to the Nations na Europa Ocidental, pós-moderna, pós-cristã e pré-islâmica. Será ele porque só pode ser quem já considerou tudo como perda para abraçar a Cristo, somente!  (e sem esse A-B-C que qualifica o Marcos, sinceramente, não queremos mais ninguém... Acabou o tempo de titubear por causa de inferninhos eclesiásticos dos quais as pessoas reclamam o dia inteiro mas nunca largam o OSSO e a glória de seus cargos de projeção comunitária. As favas, com a benção e misericórdia de Deus!) Queremos um milhão de Marcos Amsterdam!).  Sua função é apoiar diretamente a imensa quantidade de gente que nos escreve todo dia perguntando: “Onde encontro gente que pensa como eu aqui em Paris?”, por exemplo... Nós não conseguimos mais fazer isso, e nem isso é possível à distância, senão em função dos milagres que a fome e sede de Deus promovem o tempo todo!

[3] Trocar dons, tirar dúvidas e fortalecer a fé dos nossos irmãos da Estação em Londres em quatro reuniões; uma delas com o Caio por vídeo-conferência;
[4] Encaminhar o casal Leonardo & Ayla (e a semente que já cresce em seu ventre!) rumo ao cada vez mais complicado CAMPO na Nigéria, onde a reação da apóstola Helen Ukpabio foi tão arrasadora que dissipou e quase dissolveu o orfanato de recolhimento de crianças-bruxificadas por falsos profetas. Além disso, ela conseguiu afastar o suporte financeiro da ONG inglesa SSN. Entregarei ao Leo & Ayla o sustento deles pelos próximos dois a três meses para a Ayla cuidar do ninho missionário em casa. Dinheiro esse dado por vocês!
[5] Reunir-me com Gary Foxcroft, fundador da SSN e ex-provedor do orfanato. Vamos pedir pela continuidade do investimento e, olho no olho, deixaremos claro que em UM ano entregaremos um relatório de melhor aproveitamento dos recursos, pregação contra a estigmatização prevenindo novas bruxificações até que essa praga acabe, e possamos um dia transformar a espada em arado, quando cada uma das crianças abandonadas se tornarem professores de uma espécie de SENAI que faremos vigorar no Orfanato, sob a direção do Leo. É nossa hora, é nossa vez...!

[6] E ainda, levarei comigo (a) a versão bilíngüe dos quatro Evangelhos, para o Leo & Ayla levarem à Nigéria (de fala inglesa) e à Angola (de fala portuguesa); (b) a nova edição do livreto ilustrado para crianças “Jesus and the Children”, editado também em português para o Caminho-Criança no Brasil e para todas as comunidades cristãs que assim o desejarem, (c) o livro de orientação aos pais africanos, intitulado “O que fazer se seu filho for acusado de bruxaria?”, publicado pela editora PRÓLOGOS em inglês.

Peço encarecidamente a participação de cada um, em oração. Por favor. Quando estamos no Campo, vocês acham que estamos orando e jejuando? Não, não! Estamos comendo, pregando e fazendo vínculos! Nossas orações são somente pelo próximo que cruza conosco. Nunca por nós. Então, por favor, cumpram o que falta...
Deixamos nossas esposas, cinco filhos, e as Estações (além de profissão e dezenas de emails que ficarão sem resposta).
Obrigado especial ao Chico, ao Marcos Vinícius, ao Tato, ao Adailton, a Dora, ao Valmir, a cada um que tem contribuído financeiramente, e ao Deus de todas as coisas, que me permite ainda viajar assim com recursos próprios, a fim que de o máximo possível de investimentos sejam feitos na direção dos que nada têm!
Na mesma Graça,
Marcelo Quintela
marcelo@caminhonacoes.com